Médicos, representantes de pacientes e parlamentares defenderam a criação de uma política nacional de assistência à endometriose. Eles participaram de debate realizado na terça-feira (11) pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero. De difícil diagnóstico, a condição provoca dores intensas e pode causar infertilidade.
Atualmente, o diagnóstico e o tratamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS) seguem diretrizes do Ministério da Saúde.
Durante a audiência, participantes defenderam a aprovação do Projeto de Lei (PL) 3246/21 , do ex-deputado Roberto de Lucena (SP), que cria o Programa de Prevenção e Tratamento da Doença de Endometriose.
O texto prevê avaliações médicas periódicas, exames clínicos e laboratoriais, campanhas de orientação, treinamento continuado de profissionais de saúde e ações do SUS para prevenir e tratar a doença.
Política essencial
Para o médico Guilherme Karam, especialista em ginecologia e obstetrícia, uma política nacional pode acelerar o tratamento em diferentes regiões do país.
"A gente observa ao longo dos anos o surgimento de políticas públicas de forma dessincronizada, mas, com um programa nacional voltado para o SUS, creio que vamos conseguir criar uma linha de cuidado e de financiamento, com protocolo técnico para que capacitemos outros centros e consigamos atender toda a população", afirmou.

Doença subnotificada
Karam destacou que a endometriose é um dos principais problemas de saúde pública entre mulheres, depois do câncer de mama e de outros tipos de câncer. Segundo ele, a doença também é subnotificada.
O médico estima que mais de 7 milhões de mulheres em idade reprodutiva sofram com a doença no país.
Protocolos nacionais
A deputada Rosana Valle (PL-SP), que pediu a realização da audiência, também defendeu a criação de protocolos nacionais, como o previsto no PL 3246/21, em análise na Câmara.
"É um protocolo que abrange campanhas nas escolas e capacitação dos médicos, difundindo assuntos discutidos nas universidades de medicina para que a gente tenha melhor acolhimento e encaminhamento a um tratamento digno pelo SUS", afirmou.
Rosana Valle relatou o projeto em 2021, durante sua tramitação pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
Continuidade do tratamento
Para a diretora da Associação Endomulheres, Pollyana Queiroz Pereira do Nascimento, um protocolo único ajudaria a garantir a continuidade do tratamento.
“Eu queria propor um protocolo unificado, para que as mulheres que saem de um Estado e vão para outro possam dar continuidade ao tratamento, não tendo que voltar ao começo. Querendo ou não, isso também gera custos.”
Diagnósticos demorados
Pollyana também relatou dificuldades para chegar ao próprio diagnóstico, que só veio depois de cinco cirurgias e por meio de um ortopedista.
A jornalista Caroline Salazar, que tem endometriose e criou o blog A Endometriose e Eu, também falou sobre o impacto no atraso do diagnóstico.
“Eu convivi, no total, 28 anos com dores severas e incapacitantes. O meu diagnóstico só veio aos 31 anos de idade, já bem tardio. Eu perdi várias fases importantes da minha vida de mulher.”
Para ela, é necessário capacitar os profissionais de saúde para reconhecer a doença, acelerar o diagnóstico e oferecer tratamento mais personalizado.
Projetos em debate
Outras propostas que tramitam no Congresso Nacional sobre endometriose:
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