
Referência no atendimento a pacientes queimados na zona norte de São Paulo, o Hospital Geral de Vila Penteado, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), utiliza pele doada no tratamento de pacientes com queimaduras, contribuindo para a proteção das áreas lesionadas e para a recuperação de casos graves. No Dia Nacional do Doador de Órgãos, celebrado neste domingo (27), a unidade reforça a importância de ampliar a informação sobre a doação de tecidos e de conversar com a família sobre o desejo de ser doador.
Até agosto deste ano, o Estado de São Paulo contabilizou 700 doadores e 6.099 captações de órgãos e córneas, segundo a Central de Transplantes do Estado. Em 2025, foram realizados 8.875 transplantes em território paulista, 6,8% a mais do que em 2024, quando foram registrados 8.311 procedimentos.
Além dos órgãos destinados a transplantes, tecidos como pele e córneas também podem ser doados e beneficiar pacientes. No caso da pele, o tecido pode ser utilizado como parte do tratamento de pessoas com queimaduras extensas, funcionando como uma cobertura temporária para as áreas lesionadas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), cerca de 70 mil internações por queimaduras são registradas anualmente na rede pública de saúde brasileira. O número evidencia a dimensão do problema e a necessidade de ampliar não apenas as ações de prevenção, mas também os recursos disponíveis para o tratamento dos casos graves.
Em pacientes com grandes áreas queimadas, a perda da pele compromete uma das principais barreiras de proteção do organismo, aumentando o risco de infecções, perda de líquidos e outras complicações. Nesses casos, a pele doada pode ser utilizada para proteger temporariamente as áreas afetadas enquanto o paciente passa pelas demais etapas do tratamento.
Apesar da importância desse recurso, a doação de pele ainda enfrenta resistência. Parte das recusas está relacionada à falta de informação sobre como funciona a doação de tecidos e sobre os procedimentos realizados após a autorização da família.
Para David Ribeiro, coordenador da Unidade de Queimados do Hospital Geral de Vila Penteado, falar mais sobre a doação é uma forma de combater dúvidas e permitir que as famílias tomem decisões conscientes. “Ainda existe muito desconhecimento sobre a doação de pele. Muitas pessoas não sabem que esse tecido pode ser utilizado no tratamento de pacientes com queimaduras e que existem protocolos rigorosos para todo o processo”, afirma.
O médico explica que a pele exerce funções essenciais para o organismo, entre elas a proteção contra agentes externos e a manutenção da hidratação e da temperatura corporal. Quando grandes áreas são atingidas por queimaduras, a perda dessa barreira exige cuidados especializados e uma estratégia adequada de cobertura das lesões.
No Brasil, a doação após a morte depende da autorização da família. Por isso, a SES-SP orienta que quem deseja ser doador converse sobre essa decisão com os familiares ainda em vida. Manifestar a vontade previamente pode ajudar a família no momento em que a autorização for solicitada.
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