
O trabalho integrado das polícias Civil, Militar e Científica localizou 59.017 pessoas desaparecidas entre janeiro de 2023 e setembro de 2026. O número representa 78,6% dos registros de desaparecimento no período, com uma média de 42 pessoas localizadas por dia no estado. O trabalho reúne investigações da Polícia Civil, ações da Polícia Militar e exames realizados pela Polícia Técnico-Científica, com o apoio de ferramentas tecnológicas e análises genéticas.
A atuação ocorre em diferentes frentes. A Polícia Civil conduz as investigações para localizar pessoas desaparecidas, enquanto a Polícia Técnico-Científica realiza exames periciais que podem auxiliar na identificação de pessoas que não puderam ser reconhecidas pelos métodos convencionais.
A Polícia Militar também participa das buscas por meio da Cabine Muralha Paulista – Desaparecidos, ferramenta que permite iniciar a procura assim que o desaparecimento é comunicado. Entre abril e outubro de 2026, a cabine contribuiu para 422 localizações, das quais 230 ocorreram exclusivamente por meio de sua atuação.
Segundo a delegada Bárbara Travassos, da 5ª Delegacia de Investigações sobre Pessoas Desaparecidas, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a rapidez na comunicação do desaparecimento é fundamental para o trabalho policial.
“Não é necessário esperar 24 horas para registrar o desaparecimento. É importante que os familiares procurem a polícia assim que perceberem a ausência da pessoa e façam um boletim de ocorrência, seja na Delegacia Digital, na especializada do DHPP ou no Distrito Policial mais próximo. Forneça o máximo de informações possível, como fotografias recentes, características físicas e números de telefone, para auxiliar no trabalho de investigação”, explica a delegada.
A Polícia Técnico-Científica também desempenha um papel importante nesse trabalho, atuando na identificação de pessoas que morreram e não puderam ser reconhecidas pelos métodos convencionais.
Para isso, a instituição utiliza um banco de perfis genéticos que permite comparar o DNA de pessoas não identificadas com amostras de familiares que procuram por parentes desaparecidos. Quando há compatibilidade genética, a análise pode contribuir para a identificação.
Para incluir o material genético no banco de DNA, os familiares de pessoas desaparecidas há mais de 30 dias podem agendar a coleta pelo site da SPTC ( https://www.policiacientifica.sp.gov.br/iml/coletadna ) . O procedimento é realizado no Instituto Médico Legal (IML). A instituição também participa de campanhas anuais promovidas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), como a realizada em 30 de agosto deste ano.
O exame é simples e indolor, realizado com um cotonete passado no interior da boca para recolher células utilizadas na análise genética.
“Quanto mais familiares realizarem a coleta de DNA, maiores serão as possibilidades de identificação. Muitas vezes, temos o material genético de uma pessoa não identificada, mas não conseguimos encontrar uma correspondência porque não há amostras de seus familiares cadastradas no banco”, explica Maria Paula Valadares, perita criminal da Polícia Técnico-Científica.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) orienta que, além do registro do boletim de ocorrência, os familiares mantenham os números de telefone atualizados, atendam aos contatos realizados pelos investigadores e forneçam novas informações que possam auxiliar nas buscas. Também é importante ter cuidado com possíveis golpes envolvendo o desaparecido.
Caso a pessoa desaparecida seja localizada, os familiares devem comunicar o reencontro à Polícia Civil, para que o registro seja atualizado. A medida contribui para manter as informações sobre o caso atualizadas e auxiliar o trabalho das equipes responsáveis pelas investigações.
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