
Vereadores de Jundiaí, interior de São Paulo, aprovaram moção de repúdio ao projeto da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), que propõe tratamento diferenciado nos casos de pessoas que praticam furto por necessidade e o furto que se enquadre na conhecida “insignificância”, que já estão previstos no sistema legal do Brasil.
O autor da moção, vereador Juninho Adilson (PP) disse que não concorda com a proposta da deputada, pois segundo ele “deveria pensar em criar projetos para a geração de empregos e oportunidade, dignificar a pessoa”, explicou.
Para o parlamentar, o que chama a atenção no projeto é o furto insignificante. Ele teme que a proposta possa estimular a prática de furtos de pessoas que tenham um patrimônio considerável. “Se a pessoa tem um patrimônio R$ 1 milhão, por exemplo, e alguém furta um carro seu, então, por ser insignificante ao que ela tem, não acontece nada praticamente(?)”
Durante a discussão da moção, o vereador Antônio Carlos Albino (PL) fez um discurso com ataques à deputada Talíria e seu partido. “A deputada quer farra. Esse pessoal do PSOL vive na mentira”, afirmou. Em outro trecho do discurso, Albino, ao se referir ao PSOL, afirmou “a que ponto chega uma deputada. Esse povo não tem Deus no coração”, disse o vereador bolsonarista.
Ao Diário, a deputada Talíria Petrone disse que os bolsonaristas falam mentiras sobre ela.“É inaceitável a quantidade de mentiras que a direita bolsonarista insiste em espalhar contra mim”, afirmou. Ela enviou nota para se posicionar sobre a moção de repúdio do vereador judiaiense, Juninho Adilso. Veja nota abaixo.
NOTA DA DEPUTADA TALÍRIA PETRONE - “É inaceitável a quantidade de mentiras que a direita bolsonarista insiste em espalhar contra mim. Vamos aos fatos.
Nosso PL pretende corrigir desigualdades, reduzindo o número de prisões de pessoas que furtam, sem violência e por necessidade extrema, itens básicos como um saco de arroz ou pacote de miojo. Parte delas são mães de família. Também é mentira que o projeto tem como objetivo deixar de responsabilizar quem comete o furto nesses casos. Nossa proposta mantém a responsabilização civil, que é o caminho por onde se pode recuperar o prejuízo e deixando ao juiz a possibilidade de aplicar penas alternativas no caso em que as circunstâncias assim justificarem. O sistema prisional brasileiro está superlotado e não é um modelo que ressocializa quem é preso, mas, ao contrário, acaba reinserindo muitas pessoas em organizações e facções criminosas.
Por fim, trata-se de um projeto preocupado com o momento, marcado pelo alto índice de fome e de desemprego, aumento desenfreado dos preços dos alimentos e de itens de primeira necessidade e por toda a crise enfrentada num país em que muitas famílias não têm o que comer.”
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