
O cumprimento da Lei Paulo Gustavo em Minas Gerais segue avançando e está muito perto de atingir a importante marca de efetuar o pagamento de todos os projetos aprovados no estado.
Até a última quarta-feira (17/7), 97,6% das propostas selecionadas na primeira chamada da LPG já haviam recebido os recursos, somando o total de R$ 153,3 milhões, valor que chega às diversas regiões de Minas.
Cerca de R$ 40 milhões ainda serão repassados aos proponentes que constavam como suplentes e agora estão sendo convocados e aprovados nos dez editais.
Com a verba em mãos, trabalhadores da cultura já estão executando projetos, fazendo a cadeia produtiva do setor girar, gerando emprego e renda e estimulando a economia da criatividade em centenas de municípios.
É o caso do festival Filme de Bairro, cuja proposta é incentivar e promover a produção e o intercâmbio audiovisual em seis cidades do Sul de Minas: Alfenas, Boa Esperança, Serrania, Elói Mendes, Paraguaçu e Areado.
Após cada uma delas receber, em junho, oficinas de roteiros com o acompanhamento de profissionais, moradores desses locais mergulharam na criação, edição e finalização dos curtas-metragens. A etapa de exibição dos seis filmes, que começou na sexta-feira (19/7) e termina neste domingo (21/7), será realizada em Elói Mendes, em mostra competitiva.
Contemplados
Produtora cultural e moradora de Alfenas, Aryanne Ribeiro é a diretora do festival e teve outro projeto contemplado na Lei Paulo Gustavo.
Trata-se da Mostra de Cinema de Fama, que está em sétima edição. Em 2024, o evento recebeu 2.522 curtas-metragens brasileiros e de países como Paraguai, Canadá, Estados Unidos, Bulgária, Japão, Chile, Itália, França, Estônia, Irã e Espanha.
Os filmes serão exibidos de 22 a 25/8 em Fama, no Sul de Minas.
Além das mostras competitivas e da categoria Conecta, que tem como tema a ancestralidade e a cultura afrobrasileira, o festival também terá rodas de conversa e oficinas em praças públicas, abertura com apresentação da Filarmônica de Varginha, júri especializado e a presença do ator Fabrício Boliveira, homenageado da edição.
Aryanne Ribeiro diz que ter projetos da Lei Paulo Gustavo sendo executados em Minas é importante sob vários aspectos: “essas iniciativas incentivam o desenvolvimento local, movimentam a cadeia cultural, turística e econômica das cidades. No caso dos meus projetos, eles fomentam a formação de público e o acesso ao cinema brasileiro. Ter recursos para realizá-los é fundamental, assim como é fundamental que esses eventos ocorram”.
Estímulo à economia da criatividade
A tradicional Banda de Música José Viriato Bahia Mascarenhas, fundada em Pitangui na segunda metade do século 18, teve seu projeto de circulação aprovado no edital 8 da LPG.
As apresentações começaram, em junho, por Belo Horizonte, Tiradentes e a própria Pitangui. Diamantina, no dia 4/8, será a próxima parada.
O grupo ainda passa, nos meses seguintes, por Vespasiano, Serro, Ponte Nova, Ouro Preto e Mariana. As cidades foram escolhidas por serem emblemáticas para a cultura mineira e terem forte ligação com as bandas de música.
Maestro da Banda de Música José Viriato Bahia Mascarenhas desde 2015, Frederico Teixeira ressalta que, à exceção de Vespasiano, onde o espetáculo será realizado em um teatro, mas com entrada gratuita, as apresentações são sempre em praça pública, aquecendo a economia local de ponta a ponta, do pipoqueiros ao técnico de som.
“Além das 50 pessoas envolvidas na banda, temos produtores, comerciantes, artesãos, hotéis, pousadas, restaurantes e toda uma cadeia produtiva recebendo o movimento dos recursos da Lei Paulo Gustavo. São nove cidades que vão ter a economia do turismo e da cultura impactada por esse projeto”, destaca Teixeira.
Para a subsecretária de Cultura de Minas Gerais, Nathalia Larsen, ter quase 100% dos projetos pagos e iniciativas já em execução em todas as regiões do estado é um cenário que propicia benefícios não só para a economia da criatividade, como também desenvolve e encoraja a produção dos artistas mineiros em várias linguagens.
“A produção cultural e artística em Minas Gerais é extremamente diversa e autêntica. A arte como modo de fazer e viver, a criação de projetos audiovisuais de excelência, a circulação de músicos e bandas, a produção literária, entre tantas outras formas de expressão, garantem empregos, qualidade de vida, preservação e valorização da mineiridade e ainda desenvolvem boas práticas de cidadania.”
Arte não tem idade
O projeto de Adelícia Amorim Rocha foi um dos 27 contemplados pela LPG em Almenara, no Vale do Jequitinhonha.
Ela foi selecionada na categoria “Mestras e Mestres” do edital 11, destinado a premiar trajetórias culturais de agentes que tenham prestado relevante contribuição ao desenvolvimento artístico ou cultural do estado de Minas Gerais.
Aos 89 anos, Adelícia, bordadeira desde os 12, sentiu-se imensamente reconhecida ao ver seu nome entre os classificados. Por décadas, ela desenvolveu trabalhos e oficinas de bordado em Almenara, cidades e distritos próximos ao município, instituições e presídios.
Para além de movimentar a economia do estado, gerar emprego e renda, a LPG em Minas Gerais também reforça a auto-estima e o senso de coletividade dos fazedores de cultura no estado.
“Sempre fiz meu trabalho com muita dedicação. Meu objetivo é viver não só o meu eu, mas passar para as pessoas o que eu aprendi, e transmito isso com muita simplicidade. A Lei Paulo Gustavo foi uma abertura, uma luz para Almenara, para o Vale do Jequitinhonha. Ter nosso trabalho reconhecido é muito importante”, afirma a bordadeira.
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