
Por Amorozzo Jorge
O Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público de São Paulo deveriam abrir investigações para responsabilizar o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, pela crescente onda de mortes por acidente de trabalho na cidade.
As redes sociais do prefeito, que atua como dublê de influenciadores digitais, estão repletas de vídeos onde Rodrigo Manga convida insistentemente, pessoas de qualquer lugar do Brasil e do mundo para virem trabalhar e morar em sorocaba porque, segundo ele, “a cidade do nosso Senhor Jesus Cristo, tem oportunidade para todos.
Em seus vídeos populistas com pretensões meramente eleitoreiras, o missionário Rodrigo Manga, chega a oferecer milhares de vagas de empregos com até dez mil reais de salário, sem a necessidade de qualquer formação profissional, pois, a prefeitura estaria preparada para formar qualquer pessoa que vier em busca de emprego na cidade.
Além de eleitoreira e irresponsável, a atitude inescrupulosa do prefeito de Sorocaba nas redes sociais, tem causado muito constrangimento às pessoas atraídas por suas promessas, sobretudo os mais jovens, que acabam sendo explorados pelo crescente comércio ilegal de produtos eletrônicos, cigarros, bebidas, roupas e utensílios em geral – tudo falsificado.
Desde o início da gestão do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), o comércio ilegal popularmente conhecido como “Xing Ling”, ignora a legalidade e fomenta crimes como evasão de divisas, sonegação fiscal, descaminhos, e exploração da mão de obra de jovens sem qualificação profissional que chegam a trabalhar de domingo a domingo, cerca de dez horas por dia, tornou-se bastante comum.
Quem já teve o desprazer de assistir alguns desses vídeos do prefeito na internet, especialmente sobre a demasiada oferta de empregos, e conhece a realidade da cidade, facilmente percebe a perfída intenção do político em se beneficiar com a exploração da força de trabalho jovem no comércio e no setor de serviços, tanto regular quanto o ilegal, em Sorocaba.
Não é exagero argumentar que a malandragem populista do prefeito em manter a juventude explorada no comércio ilegtal por cerca de dez ou doze horas por dia, denota sua cruel capacidade de alienar e dominar maior parte da população para se manter na prefeitura, e, assim garantir o enriquecimento dos mafiosos que usurpam o poder municipal com a conivência da grande maioria dos vereadores da cidade. Nesse aspecto, sugerimos às autoridades investigarem a prática criminosa de corrupção de menores.
Em março deste ano, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu diversos equipamentos eletrônicos, vinhos e outras mercadorias que abasteciam o mercado da pirataria em Sorocaba, e a Polícia Militar, prendeu oito pessoas e apreendeu mais de 30 mil garrafas de cervejas falsificadas. Dois meses depois, a Polícia Civil de São Paulo escalou a Delegacia Secccional de Sorocaba, para realizar uma operação contra o comércio criminoso de marcas pirateadas na cidade. Foram apreendidos mais de dez mil itens, entre roupas, calçados e acessórios, em lojas do centro da cidade. Os produtos foram doados para a população afetada pelos temporais ocorridos no Rio Grande do Sul.
A própria cronologia dos crimes de pirataria e descaminhos que exploram a mão de obra jovem e se alastram em Sorocaba, contribuem, sobremaneira, para descortinar a farsa do prefeito Rodrigo Manga, porque é na sua gestão que inúmeras empresas são beneficiadas com isenção de incentivos fiscais, em troca de empregos para a população – ao que parece, sem critérios de responsabilidade social e respeito a legislação do País.
No mês de junho deste ano, uma mega operação da Receita Federal na cidade, fechou o cerco a dois estabelecimentos comerciais tradicionais na cidade, que comercializavam vinhos importados adquiridos de forma ilegal. Milhares de garrafas dos produtos, de rótulos nacionais e internacionais que totalizaram mais de 6 milhões de reais, foram apreendidos pelos agentes federais.
Quem frequenta o comércio de Sorocaba, percebe um peculiar desespero nas abordagens dos jovens que trabalham em lojas do comércio. Esse comportamento tem uma explicação: a exigência absurda do cumprimento de metas, que gera uma frequente rotatividade. Ou seja, quem não consegue cumprir metas, logo é dispensado.
Esse tipo de comportamento empresarial no comércio do centro da cidade e em alguns shoppings centers, deixam os jovens frustrados ao ponto de desenvolverem ansiedade grave, ao provocar tamanha desilusão que aniquilam as expectativas de melhora da condição de vida.
Muitos desses jovens desistem e procuram um atalho mais fácil no caminho, geralmente que leva às drogas. E esse efeito, o próprio prefeito Rodrigo Manga conhece bem, porque, inclusive, alardea aos quatro cantos do mundo, que já foi usuário de maconha, cocaína e outras drogas, e garante que não utiliza mais qualquer tipo de drogas. Embora, circule nas periferias e na alta sociedade, comentários de que ele não diz a verdade.
Considerando que a voz do povo é a voz de Deus, e que Rodrigo Manga se apresenta nas redes sociais como um quase “discípulo de Deus”, não seria demais cobrarmos dele um exame toxicológico atualizado, apenas para dirimir quaisquer dúvidas da população que o elegeu. Também devemos ressaltar que, são os usuários de drogas que sustentam o tráfico na cidade.
Além da juventude desiludida pelas promessas do prefeito Rodrigo Manga, para o trabalho “sem necessidade de formação”, que acabam exploradas pelo comércio e pelo setor de serviços; os trabalhadores da construção civil, enfrentam um risco muito mais grave: atraídos pela armadilha do emprego fácil e da possibilidade de mudança de vida na “cidade do nosso Senhor Jesus Cristo”, como diz o missionário Rodrigo Manga, acabam perdendo a vida e deixam suas famílias órfãs.
O número de ocorrências criminosas de exploração ao trabalho escravo e mortes na indústria da construção civil em Sorocaba, é alarmante: apenas no primeiro semestre deste ano já morreram 20 operários. Isso significa que o número de acidentes de trabalho em 2024 aumentou 150%, em relação ao mesmo período do ano 2023; é praticamente uma morte de um trabalhador a cada semana, que corresponde a uma família órfã na cidade.
Dados do Ministério Público do Trabalho, registam um amumento de 285% de denúncias sobre exploração do trabnalho escravo em Sorocaba entre os anos 2021 a 2022 – os dois primeiros anos da gestão de Rodrigo Manga. Após esse período, o número só cresce.
Em Sorocaba, o engenheiro Toshio Sigue, foi incluído na “lista suja” do governo federal, por manter duas mulheres de origem indígena trabalhando em condições análoga à escravidão, segundo inquérito da Polícia Federal. E na região de Sorocaba, uma idosa de 73 anos foi resgatada por agentes do Ministério do Trabalho, na mesma condição.
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