
Por Amorozzo Jorge
Com o típico perfil do malandro brasileiro que não dispensa uma oportunidade para se dar bem às custas de pessoas ingênuas,Rodrigo Manga, muito ardiloso, saltou da vidinha medíocre de maconheiro e usuário de todos os tipos de drogras nas esquinas da rua da Penha, próximo ao prédio onde reside sua mãe, no número 1.200, e nas quebradas da periferia onde o tráfico era e ainda permanece firme – para a gloriosa vida de político, pelas mãos de um suposto apóstolo chamado Valdomiro Santiago, que construiu um império, às custas da exploração religiosa.
Era um desacreditado, com um histórico de malandro que bebia nos bares e não pagava e comprava drogas fiado, mas pagava, porque senão, estaria enterrado há muito tempo. O jovem ‘rebelde’ sem justa causa que envergonhava a família, encontra uma oportunidade de trabalho como vendedor de carros em concessionárias de Sorocaba, e, ganancioso, insatisfeito com o resultado financeiro das comissões que recebia, sempre procurava o atalho mais fácil para passar a perna em pessoas ingênuas e desinformadas.
Suas práticas delituosas nesse período, lhe renderam alguns processos e condenações por práticas fraudulentas no mercado da venda de automóveis. Em um dos processos, Manga foi condenado a pagar 20 mil reais em 20 parcelas de 1 mil reais, e por pouco não foi parar na cadeia, por ter apresentado um documento falso à justiça alegando que seria funcionário de uma concessionária de veículos. Inquirido pela justiça, o proprietário da empresa emitiu documento informando que o réu, Rodrigo Manga, estava mentindo.
Se tem uma coisa que o Manga não pode reclamar, é de falta de sorte na vida. Ele saltou de maconheiro da periferia, para fraudador de negócios automobilísticos em Sorocaba, e nessa trilha tortuosa encontrou o líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdomiro Santiago, que lhe estendeu a mão (a mando de Jesus). Tornou o seu discípulo e lhe ensinou as artimanhas da religião para iludir, manipular e explorar pessoas.
Embora ardiloso, Manga era um instrumento facilmente manuseável e útil para a comunidade evangélica, por seu histórico de delitos e vícios com drogas. O cara perfeito por sua suposta história de superação, capaz de comover os fiéis dispostos a entregar o dinheiro do suor do seu trabalho para a igreja que proporciona vida de luxo e luxúria aos seus donos.
Pronto. Está criado e formado na escola de ilusionismo religioso, o personagem ‘irmão Manga’, que conquistou o destaque, previamente planejado entre seus líderes religiosos e logo ascendeu à missionário.
Rodrigo Maganhato nunca foi de família pobre, e sua opção pelas drogas foi uma decisão estritamente pessoal, por ser branco, de família tradicional e ainda ter a seu favor todas as oportunidades que são negadas a milhares de negros pobres neste País. Sua personalidade megalomaníaca, o faz crer que o mundo deve estar sob o seu domínio, sujeito aos seus caprichos pessoais. E essa personalidade doentia o levou a buscar realização na política. A religião, seria e ainda o é, apenas um “trunfo”.
A arte de comover pessoas sensíveis, espiritualmente fragilizadas e propensas a entregar-se de corpo e alma à sedução dos supostos pastores evangélicos, passou a ser o forte atributo do “ex-usuário de drogas”, que virou líder religioso apenas para alcançar o trono político, a qualquer custo. Afinal, qualquer discurso ou testemunho de superação, profanado com uma generosa dose de sentimentalismo e suposto arrependimento, tem o poder de enganar até o diabo.
Pelas mãos dos suposto apóstolo Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, o suposto missionário Rodrigo Manga, recebeu as bênçãos da persuasão, para manipular e dominar cada vez mais pessoas vulneráveis, carentes da atenção de Deus. Mas a própria Bíblia Sagrada adverte: “Não brinque com o povo de Deus”! Rodrigo Manga e Valdomiro Santiago, não só brincam, eles ‘desviam as ovelhas de Deus’, para seus interesses.
Uma vez inserido no mundo religioso e político, as mentes maléficas de alguns notáveis líderes que norteiam esses dois mundos (religioso e político), buscam inescrupulosamente, encontrar no personagem do ex-maconheiro de periferia, amparo para a satisfação de suas insasiáveis ganâncias. Começa aí, a oficina da corrupção: substituições e inserções de ‘peças’ desnecessárias nas máquinas administrativas, seja na Prefeitura ou Câmara Municipal; manipulação de orçamentos e receitas públicas para desvios de “dízimos” milionários, através de licitações fraudulentas, concessões, incentivos ou distribuição de cargos; contratações de empresas indicadas pelos “irmãos” para execução de serviços e aquisição de materiais e produtos a preços que chegam no Céu, etc. Tudo isso, em nome do “nosso Senhor Jesus Cristo”.
A facilidade com que se alcança o trono do poder político, a partir da exploração da fé religiosa, para finalidades escusas, chama atenção de outro grupo da sociedade brasileira: os mafiosos das facções criminosas, que precisam legalizar dinheiro sujo e logo encontram um meio de chegar ao núcleo da oficina da corrupção.
Chegando lá, contribuem generosamente para o incremento de sofisticadas habilidades criminosas, bancam campanhas eleitorais – como aconteceu com o prefeito Rodrigo Manga, que recebeu dinheiro sujo de uma facção criminosa para sua campanha em 2020, e retribuiu com a contração de empresas fraudulentas pertencentes à facção, para atuar na saúde de Sorocaba – e exigem participação “acionária” nos cofres da prefeitura.
Todo esse engendramento estatégico para surrupiar o dinheiro público, em nome da “história de superação” de um suposto ex-drogado, Rodrigo Manga, não só provoca reflexos cruéis na prestação de serviços básicos à população de Sorocaba, nas áreas mais sensíveis como Educação, Saúde e Social. Mas também fragiliza a democracia, porque os eleitores não sentem interesse em votar nas eleições municipais, em razão da desconfiança nos políticos e do descrédito na justiça.
Não por acaso, a partir do ano 2012, quando os evangélicos empurraram goela abaixo dos eleitores, a candidatura do Rodrigo Manga a vereador, com sua fajuta “história de superação”, os votos em brancos, nulos e abstenções aumentaram de forma absurda, em relação a eleição anterior do ano 2008. Na época os votos brancos, nulos e abstenções, somaram 78 mil votos. Na ocasião, o médico e ex-secretário de Saúde do Município, Vítor Lippi, foi eleito com quase 80% dos votos válidos, atingindo a marca histórica e jamais superada até hoje, de mais de 242 mil votos.
Em 2012, os votos brancos, nulos e abstenções saltaram para 108 mil votos. Contudo, Manga se elegeu vereador, alcançando mais de 4 mil votos e o professor e engenheiro metalúrgico Antonio Carlos Pannuzio, se elegeu prefeito com mais de 162 mil votos.
Na disputa eleitoral do município em 2016, foram mais de 145 mil votos nulos, brancos e abstenções. Neste pleito, o advogado, engenheiro e escritor José Caldini Crespo, foi eleito prefeito com 182.833 votos. Filho de ex-prefeito e aliado ao prefeito Renato Amary (1997 a 2004), considerado um expoente da administração de Sorocaba, Crespo vinha de uma trajetória ascendente na política local, tendo sido eleito anteriormente vereador com 6.913 votos, em 2012, e quase 10 mil votos, respectivameente, em 2008. Rodrigo Manga se reelegeu vereador com pouco mais de 11 mil votos, e tornou-se presidente da Câmara Municipal.
Neste período conturbado da política em Sorocaba, Rodrigo Manga, antes aliado do prefeito José Crespo, se rebela, une-se à vice-prefeita Jaquelina Coutinho e ao então namorado dela, o vereador Hudson Pessini, e os três, aliados a um delegado de polícia, tramam e conseguem a cassação do prefeito Crespo. A vice, Jaqueline Coutinho, assume o cargo. Mas, Rodrigo Manga, seu parsa, vereador Vinícius Aith e a Turma do Manga na Câmara, inviabilizaram o quanto puderam, a gestão da ex-aliada, prefeita Jaqueline Coutinho.
Esse foi o período da trairagem geral, que forçou demais o desgaste político generalizado e produziu desânimo ainda maior no eleitorado do município.
Nas eleições de 2020, Rodrigo Manga disputa o segundo turno com a delegada Jaqueline Coutinho, prefeita que tentava a reeleição. Manga se elege com 153.228 votos, mas nesse pleito eleitoral, o número de votos nulos, brancos e abstenções superaram, e muito, o número de votos do prefeito eleito: foram 194.533 eleitores que, reprovaram os candidatos a prefeito Rodrigo Manga, Jaqueline Coutinho e até a opção de esquerda, o candidato Raul Marcelo, e protestaram nas urnas, votando nulo, branco ou se abstendo.
Além do preocupante desinteresse do eleitorado pelas eleições municipais em Sorocdaba, cujos votos perdidos chegam a quase 40% do total de votos válidos, outro detalhe chama muito atenção:
Todos os prefeitos eleitos, desde 1997, ou seja, a partir da gestão considerada exemplar do líder estudantil e advogado Renato Amary, até a última eleição em 2020, o único prefeito que não tem formação superior capaz de contribuir com o tamanho da responsabilidade de gestão de uma prefeitura do porte de Sorocaba, é extamente Rodrigo Manga, formado em marketing.
O marketing é a arte da persuasão. Quem resolve ingressar nessa área profissional, opta por induzir o consumidor de produtos e serviços à prática da compulsão. Ou seja, do consumo desenfreado, até que o consumidor psicologicamente frágil, vulnerável, gaste seu último tostão e até se endivide. Basta ver nos noticiários, o que a imprensa denuncia sobre, por exemplo, o tal jogo do tigrinho e outras malandragens marketeiras utilizadas por influenciadores digitais.
Rodrigo Manga sempre escolhe os caminhos mais fáceis, ele vive na internet com a boca escancarada, cheia de dentes bem cuidados e roupas caras de marcas, tudo bancado com o dinheiro da população, tentando transmitir uma imagem de bom moço, sério, honesto e pai de família, que não corresponde à realidade. No fundo, ele é um homem infeliz, refém das suas próprias atitudes egoistas e desleais com a religião, à política e a população sofrida e explorada da pujante cidade de Sorocaba – como bem lembra o deputado federal e secretário de Segurança, Guilherme Derrite.
Há poucos dias, o veículo de imprensa Snews, de Sorocaba, do renomado jornalista Reinaldo Galhardo, publicou matéria sobre suposta crise de abstinência do prefeito Rodrigo Manga, que levou a primeira-dama, Sirlange Frate ao desespero, a ponto de telefonar para algumas pessoas para socorrer o marido. Se o prefeito alardea que está curado das drogas desde que entrou na igreja e na vida política, e tem sofrido crises de abstinências, tem alguma coisa errada entre o que ele diz e o que ele pratica.
O fato é que, a cidade rica de Sorocaba, que está entre as dez primeiras no PIB do Brasil, jamais deveria submeter-se a uma gestão incapaz e arriscada, pelas mãos de um mero aventureiro religioso, ex-maconheiro de periferia. A população e as autoridades precisam despertar urgente.
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