
Equipes das Polícias Militar e Civil, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, deflagraram, nesta segunda-feira (8), a Operação Sharpe, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa responsável por chefiar o tráfico de drogas no centro de São Paulo. São cumpridos dez mandados de prisão preventiva e outros 14 de busca e apreensão, especialmente na região da Favela do Moinho.
Até o momento, sete envolvidos foram presos e 12 celulares foram apreendidos. Os casos estão sendo registrados na Divisão de Capturas, do Departamento de Operações Especiais (Dope). Entre os presos está a irmã de “Léo do Moinho”, integrante de facção criminosa preso no ano passado. Ela se apresentava como líder comunitária, mas agia para cumprir as ordens e defender os interesses do irmão. Também foram detidos o homem apontado como sucessor de Léo do Moinho nas ações criminosas, e o proprietário de um estabelecimento comercial utilizado para armazenar armas e entorpecentes na comunidade.
A ação de hoje é um desdobramento da Operação Salus et Dignitas (Saúde e Dignidade), que aconteceu em 6 de agosto de 2024. Na ocasião, os agentes conseguiram desarticular o ecossistema e a logística do crime organizado em diferentes pontos da região central, que usava de hospedarias não só como pontos de distribuição e uso de drogas, mas também para lavar dinheiro.
No decorrer das investigações, foi descoberto que lideranças do tráfico continuavam dando ordens de dentro do presídio. Uma das principais exigências era que os integrantes da organização intimidassem os funcionários da CDHU e, por meio de cobranças e ameaças, famílias residentes da comunidade que aceitassem sair de lá para morar em outro lugar, com o falso pretexto de “resistência”.
Esse tipo de ação impedia que agentes da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) pudessem trabalhar no reassentamento das famílias da Favela do Moinho.

A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Governo de SP tem promovido, desde abril, o reassentamento das famílias da Favela do Moinho, garantindo atendimento e assistência a todos os moradores. Até a última sexta-feira (5), 537 mudanças foram realizadas pela CDHU. Desse total, 65 famílias estão em unidades habitacionais definitivas e as demais recebem auxílio-moradia de R$ 1,2 mil, custeado integralmente pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de São Paulo, até que sejam atendidas de forma definitiva. Esse atendimento pode ocorrer por meio de unidades prospectadas pela CDHU no mercado ou por carta de crédito individual, que permite a aquisição de imóvel novo ou usado diretamente pelo cidadão.
Para dar suporte aos moradores, a CDHU mantém em funcionamento, desde abril, um escritório instalado na Rua Barão de Limeira. O espaço foi criado para esclarecer dúvidas, orientar famílias que ainda não definiram sua moradia e facilitar o processo de atendimento.
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