
Em discurso de despedida nesta quarta-feira (14), o senador Fernando Collor (PTB-AL) fez um balanço do seu mandato, se revelou preocupado com os problemas do Brasil e do mundo, mas se disse um otimista disposto a ajudar o país.
Em participação remota na sessão, Collor lembrou que, durante seus mandatos, apresentou uma proposta para alterar o sistema político brasileiro, como uma PEC sobre o parlamentarismo, e outra proposta para alterar a mais alta Corte da Justiça do país, como uma PEC para reformular o desenho institucional do STF, desde a fixação de mandatos até a forma de indicação de ministros. Ele disse que também trabalhou pela reforma política, apresentando várias sugestões sobre o tema. Para o senador, suas propostas seriam “remédios para os turbulentos tempos” que o Brasil vive.
O senador também disse que procurou contribuir, com o que estava ao seu alcance, com os quatro presidentes da República que dirigiram o país ao longo de seus dois mandatos (2007-2023). Ele também lembrou que, durante seu tempo de Senado, o Brasil e o mundo passaram por várias crises. Collor citou problemas ambientais, crise econômica e de credibilidade da democracia, que se juntaram “a uma pandemia e uma guerra de consequências imprevisíveis”. Ele ainda ressaltou a “perigosa polarização política” e a “profunda crise de confiança nas instituições”. Para o senador, faltam líderes capazes de olhar os problemas além do desejo de chegar ao poder.
— Não temos tempo a perder, urge debater os problemas com pragmatismo e vontade política. Urge fazermos, de nossa parte, o dever de casa — registrou Collor.
O senador afirmou que termina sua “missão ainda preocupado” com os problemas do país e do planeta. Ele disse sentir, com apreensão, que é preciso recuperar ideais, resgatar valores, refundar a política e revigorar as instituições. Na visão de Collor, a solução para as crises do Brasil e do mundo está na interlocução política no seu mais elevado patamar. O senador também defendeu o fortalecimento do sistema de freios e contrapesos e o conjunto de órgãos de controle. Ele ainda pediu união de compromisso entre as instituições, os políticos e a sociedade.
— Devemos assumir o compromisso histórico de restabelecer o diálogo, buscar o consenso e reintegrar, no Brasil e no mundo, o conjunto de ideias que, verdadeiramente, alimentam o debate político eficaz — declarou.
Para o senador, cabe ao Senado o papel de liderança no restabelecimento da normalidade institucional do país. Ele disse que o Senado pode lutar para fortalecer a política externa e buscar solução de instabilidades, com bases constitucionais. Collor disse desejar que o novo governo e os novos senadores possam arejar a sociedade. O senador disse que, apesar das preocupações, ainda guarda otimismo.
— Sem perder o otimismo, continuarei em outra arena a trabalhar por nosso país. Continuarei à disposição para ajudar governos e sociedade no que for preciso — ressaltou Collor, que agradeceu ao povo de Alagoas, aos colegas senadores e aos servidores do seu gabinete e do Senado.
Em apartes, vários senadores elogiaram o discurso e destacaram a atuação de Collor como senador. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PR), que presidiu a sessão, se disse feliz em ter desfrutado da companhia de Collor. Esperidião Amin (PP-SC) elogiou o discurso de despedida e a postura do colega ao longo dos seus mandatos como senador. Paulo Paim (PT-RS) destacou a forma que Collor “procura caminhar com aliados e opositores” e reafirmou seu respeito pelo colega. Jorge Kajuru (Podemos-GO) definiu o colega como “amigo” e disse que Collor “não guarda rancor no freezer”.
— Se me pedirem uma frase para defini-lo, eu vou responder: amigo é aquele que sabe tudo a seu respeito e, mesmo assim, ele ainda é seu amigo. E o senhor o foi comigo, sabendo de tudo o que eu falei em rede nacional como jornalista, ferrenho crítico seu. E, de repente, eu o conheço pessoalmente. Aqui coloco algo difícil de se encontrar em um homem público. O senhor, presidente Collor, não guarda rancor no freezer — disse Kajuru.
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