
O Governo de São Paulo vem conduzindo um amplo programa de reassentamento de famílias que viviam em situação de vulnerabilidade na Favela do Moinho, no centro da capital. Até sexta-feira (14), cerca de 700 famílias já deixaram a comunidade, o que representa aproximadamente 80% dos moradores da área.
Deste total, 140 famílias já estão instaladas em unidades habitacionais definitivas, enquanto outras 636 têm destino definido e passaram a receber auxílio-moradia até a mudança para a moradia permanente.
A ação integra a política de requalificação da região central da capital e busca levar dignidade às famílias que viviam em condições precárias, sob risco elevado de incêndios, insalubridade e falta de infraestrutura.
Até o momento, cerca de 700 moradias no Moinho foram descaracterizadas ou demolidas e os investimentos estaduais já chegam a R$ 118,5 milhões, destinados para a compra de imóveis que abrigarão as famílias reassentadas de maneira definitiva.
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Adesão à iniciativa da CDHU é voluntária
O plano de reassentamento estruturado pela CDHU é voluntário e oferece diferentes formas de atendimento: a família pode escolher entre imóveis prospectados pela Companhia (prontos, em construção ou com obras a iniciar) ou buscar por conta própria um apartamento em qualquer cidade do estado, desde que dentro dos parâmetros do programa.
O limite de investimento por unidade é de R$ 250 mil, e as moradias são concedidas sem custo para famílias com renda mensal de até R$ 4,7 mil, conforme parceria entre o Governo do Estado e o Ministério das Cidades. Para quem opta por unidades ainda em obra, o programa garante caução de R$ 2,4 mil e auxílio-moradia de R$ 1,2 mil a partir do mês seguinte.

Vida em transformação para antigos moradores do Moinho
Francisco Pereira de Araújo é um dos beneficiados pela iniciativa. Aos 50 anos, o controlador de estacionamento morou por uma década em um barraco de madeira no Moinho , alternativa que encontrou quando não conseguiu mais arcar com o aluguel. O imóvel improvisado, sem ventilação, com estrutura comprometida e risco constante de incêndio, agora ficou para trás. Na última quarta-feira (12), ele se mudou para um apartamento no Brás, região central, que conta com varanda, portaria 24 horas, piscina, academia e áreas comuns. “Vou estar em um lugar mais seguro. Eu estou feliz, é uma bênção”, disse.
A decisão de Francisco de permanecer na região central está relacionada à rotina de trabalho e à presença de oportunidades de emprego próximas, como nos bairros da Santa Ifigênia e da 25 de Março. A mudança ainda trouxe outro ganho essencial: um endereço formal. “Agora eu tenho um endereço para indicar”, afirmou.
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Outra beneficiária é Eunice Barbosa dos Santos, de 81 anos, que viveu por 22 anos no Moinho. Ela enfrentava problemas diários com falta de saneamento, limpeza e segurança, além do medo constante de incêndios . “Passei por dois incêndios na comunidade. Teve época que, por conta disso, eu não tinha mais nada”, relatou. Um dos barracos atingidos pelo fogo era o do filho, Jhony, que faleceu há seis anos e deixou seis filhos. Eunice agora cria um deles, o neto Jhony Alabá, de 10 anos, que terá uma nova rotina e novas perspectivas com a mudança.
Ela escolheu morar a apenas 1,6 km do antigo endereço, também na região central. O imóvel definitivo, com quarto, sala, cozinha e banheiro, está localizado em área com boa oferta de comércio e transporte. Além do conforto, ela celebra a possibilidade de proporcionar futuro diferente ao neto. “Para mim, tudo vai mudar para melhor agora, inclusive a educação do meu neto.”
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