
Em 15 anos, Danilo Senna foi da criança que sonhava em ter o patins que decorava uma loja de brinquedos ao jovem que atravessou o Oceano e conquistou o mundo na categoria Roller Freeestyle. Os patins entraram na vida de Danilo graças a um passeio despretensioso e um antigo sonho de família. Foi aos 5 anos de idade que ele avistou o acessório pela primeira vez na prateleira de uma loja. A mãe, que o acompanhava, não titubeou e presenteou o filho na mesma hora.
“Minha mãe sonhava andar de patins quando criança, mas ela não tinha condições financeiras para comprar um. O fato de ter me presenteado também foi a realização do sonho dela. Comecei a patinar em casa, mas o espaço era limitado e então meus pais me levaram para praticar no Parque da Juventude, em São Bernardo do Campo. Com o tempo, passei a frequentar pistas com rampas e obstáculos e me interessei de verdade no esporte”, lembra Danilo, que desde 2025 é beneficiário do Programa Talento Esportivo, plataforma da Secretaria de Esportes do Estado de SP que atende atletas da base ao alto rendimento.
Os treinos e competições moldavam um Danilo ainda mais completo e imprevisível sobre as rodinhas. Mas não foi só colocando o patins pra jogo que ele se tornou uma referência no esporte. A internet teve sua contribuição na formação do campeão mundial.
“Quando comecei no patins, fiz algumas aulas para aprender o básico. Depois me desenvolvi sozinho. Aprendo muito patinando e também assistindo a vídeos no Youtube e Instagram. Vejo variações que são possíveis de fazer e com base nisso crio as minhas próprias”, conta.
Depois de ganhar fama em torneios estaduais, Danilo correu para os holofotes em 2022, quando conquistou o Brasileiro e o Sul-Americano, além de ter ficado com o vice do Mundial. As temporadas de 2023 e 2024 consolidaram o jovem como um dos maiores prospectos da modalidade. E ele confirmou as apostas em 2025, aos 20 anos, vencendo o Mundial de Roller Freestyle pela primeira vez, no Japão.
“Ganhar o Mundial foi uma realização. Foi algo que eu sempre lutei. Até o reconhecimento mudou. Já fui parado na rua e no shopping para tirar foto. Pessoalmente, isso é motivo de muita alegria e um sinal do reconhecimento do meu trabalho”, afirma.
Com o mundo nas mãos, Danilo parte agora para uma outra empreitada: popularizar o patins street no Brasil.
“O Brasil tem muitos atletas com potencial, mas que ainda não tiveram oportunidades por questões financeiras. Hoje, a França é a maior força da nossa modalidade, mas acho que o Brasil, mesmo com uma infraestrutura inferior, consegue competir de igual para igual. Meu objetivo é tornar o patins um esporte popular em nosso país. Uma inclusão no programa olímpico poderia ajudar a influenciar outros jovens a se apaixonar pelo esporte como eu um dia me apaixonei”, fecha.
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