
Uma intervenção baseada em entrevistas motivacionais, aconselhamentos e incentivos aumentou a atividade física entre pessoas com asma moderada e grave, apontam pesquisadores do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP. Os participantes realizaram um programa de caminhadas, com metas estabelecidas semanalmente em conversa com os profissionais de saúde, até chegarem a ao menos 7.500 passos por dia, considerado nível ideal para diminuir os sintomas da doença.
As orientações mudaram o comportamento das pessoas com asma em direção a um estilo de vida mais ativo fisicamente, e a intervenção também reduziu sintomas de ansiedade e depressão. O artigo que descreve o trabalho recebeu o prêmio ERS Congress Sponsorship, da European Respiratory Society (ERS), em setembro, e foi publicado no periódico científico The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice.
Os principais sintomas da asma são falta de ar, chiado no peito (sibilos), sensação de aperto no peito e tosse. “Um estudo anterior do nosso grupo de pesquisa sugere que as pessoas que caminham mais que 7.500 passos diários têm menos sintomas de asma”, afirma ao Jornal da USP o fisioterapeuta Fabiano Francisco de Lima, que conduziu o estudo realizado no Laboratório de Investigação em Fisioterapia e Exercício (Liffe) do HC. “Sendo assim, o aumento da atividade física leva a essa melhoria.”
De acordo com Lima, a intervenção é chamada de “comportamental” porque tem como objetivo mudar os hábitos das pessoas com asma, para se tornarem mais fisicamente ativas. “Ela é baseada em aconselhamentos e incentivos para aumentar a atividade física”, explica. “Foram realizadas entrevistas motivacionais, feedbacks positivos e orientações para superar as barreiras do dia a dia.”
Durante o estudo, os pesquisadores usaram metas semanais para encorajar os participantes a atingirem seus objetivos. “O programa tinha oito sessões presenciais semanais, com duração de até 90 minutos”, relata o pesquisador. As entrevistas foram realizadas no HC. “Cada integrante recebeu um monitor de atividade física (smartwatch), disponível comercialmente, com um alarme que vibrava quando a meta diária recomendada de passos era atingida.”
A pesquisa incluiu 100 pessoas com asma moderada e grave, com média de idade de 52 anos, orientadas a realizar caminhadas diárias, que eram aumentadas até atingirem 7.500 passos. “O número de passos era monitorado no smartwatch pelo próprio paciente”, explica Lima. “Os participantes tinham uma meta individual diária de passos a ser atingida, que era ajustada semanalmente em conversas com cada um.”
Após a intervenção, que teve adesão de 96%, os participantes aumentaram o número de passos diários e a realização de atividades físicas mais intensas (caminhadas rápidas).
“Houve melhora nos sintomas da asma, na qualidade de vida e diminuição dos sintomas de ansiedade e depressão. A intervenção também mudou o comportamento das pessoas com asma em direção a um estilo de vida mais fisicamente ativo”, diz Fabiano Francisco de Lima.
Segundo o fisioterapeuta, os resultados do estudo mostram que é possível fazer com que as pessoas com asma aumentem os níveis de atividade física, o que contribui para a melhora do controle clínico e da qualidade de vida. “Dessa forma, é importante que os profissionais de saúde recomendem sua prática”, ressalta. “Os resultados mostram também que o perfil que melhor responde à intervenção comportamental são pessoas com asma que caminham menos e têm peso menor.” Para o futuro, os pesquisadores preparam um estudo sobre as principais barreiras enfrentadas pelas pessoas com asma para realizar atividade física.
A pesquisa foi conduzida por Lima, pós-doutorando, sob supervisão do professor Celso Carvalho. O trabalho teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
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