
Júlia Mendes Rodrigues, 60 anos, deixou definitivamente a Favela do Moinho em maio do ano passado, após a chegada dos agentes da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) para dar início ao reassentamento das famílias, um projeto do Governo de São Paulo para dar moradia digna aos moradores e acabar com a última comunidade na região central da cidade.
Desde que foi iniciada, há um ano, mais de 800 famílias já foram retiradas do local para moradias dignas e seguras em várias regiões da cidade, faltando menos de 40 famílias para serem realocadas. O terreno do Moinho, após a retirada de todos os moradores, será transformado em um parque vertical público e em uma estação de trem.
SAIBA MAIS: Após um ano, Favela do Moinho chega a 96% de desocupação com moradia digna e mais segurança para as famílias
Dona Júlia tocava um pequeno comércio no Moinho e, para sobreviver, tinha que lutar diariamente. “Era correria, eu tinha um barzinho, abastecia o bar, vendia fiado, às vezes tinha prejuízo, né? Porque o pessoal ia embora, não pagava”, disse.
Ela foi uma das primeiras a aderir ao programa de reassentamento proposto pelo CDHU, que segundo ela, trouxe muito mais do que uma moradia escriturada para sua vida. “Uma pessoa que não tem dignidade não é ninguém. E hoje eu me considero como uma pessoa digna, sou respeitada”, disse.
Inicialmente, ela passou a receber o auxílio-aluguel de R$ 1,2 mil pago pelo Governo de SP e mudou-se para um quarto e cozinha, enquanto aguardava sua casa definitiva. “Eu preferi casa, porque eu não tenho como pagar condomínio. Pelo menos a casa, água, luz e IPTU, você sabe que tem que pagar”, explicou.
Dona Júlia disse que quase não acreditou quando recebeu a notícia de que sua moradia estava pronta e que ela seria a primeira moradora daquele imóvel, que saiu já com seu nome na documentação. “Quando eu vou dormir, tô em paz, tranquila, sossegada, sem barulho, sem bagunça, não tem bagunça aqui”, disse.

Segundo ela, a entrada da CDHU em sua vida mudou sua história, mudou sua vida. “Primeiro foi Deus, depois a CDHU, que me deu importância de pessoa decente. Estou muito feliz”, finalizou.
Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) é uma empresa do Governo Estadual, vinculada à Secretaria Desenvolvimento Urbano e Habitação, é o maior agente promotor de moradia popular no Brasil. Tem por finalidade executar programas habitacionais em todo o território do Estado, voltados para o atendimento exclusivo da população de baixa renda, atendendo famílias com renda na faixa de 1 a 10 salários mínimos.
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