
A telessaúde ampliou o acesso a consultas, exames e acompanhamento especializado em 47 municípios paulistas, aponta estudo da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). Implementada pelo programa Saúde Digital Paulista, a iniciativa alcançou 52 unidades de saúde e demonstrou viabilidade para fortalecer a assistência em diferentes níveis de atenção do SUS, entre abril e dezembro de 2024.
No período, foram realizados mais de 23 mil teleatendimentos, beneficiando mais de 13 mil pacientes em diferentes frentes assistenciais, desde atendimentos de baixa complexidade na Atenção Primária até discussões de casos críticos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
Os resultados do levantamento, publicado no periódico científico JMIR Formative Research, apontam altos índices de satisfação entre usuários e profissionais da saúde. Na Atenção Primária à Saúde (APS), representada por 30 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), o índice de satisfação dos pacientes alcançou 97 pontos em uma escala de 0 a 100.
A iniciativa foi estruturada com base em três pilares: teleatendimentos, capacitação contínua das equipes e monitoramento sistemático de indicadores. O modelo contemplou os três níveis de atenção à saúde.
Na Atenção Primária, o foco esteve em teleconsultas, discussões de casos clínicos e suporte entre profissionais das unidades locais e médicos de família e comunidade. Já na Atenção Secundária, quatro Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) passaram a oferecer suporte remoto em nove especialidades de alta demanda. Na Atenção Terciária, 18 hospitais públicos receberam apoio especializado para discussão de casos de UTI entre intensivistas remotos e equipes locais.
Para garantir a padronização dos processos e a segurança assistencial, a iniciativa também contou com um programa contínuo de capacitação das equipes, realizado em modalidades presenciais, síncronas e assíncronas. Os profissionais receberam treinamento para utilização da plataforma institucional de teleconferência e aplicação de protocolos clínicos específicos, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
“Os achados sugerem que a telessaúde é uma estratégia viável em todos os níveis de cuidado, mesmo quando implementada em escala limitada, contribuindo para a expansão do acesso e da cobertura dos serviços”, afirma o diretor da Saúde Digital do HCFMUSP e um dos autores do estudo, Carlos Carvalho.
A iniciativa utilizou infraestrutura tecnológica acessível, composta por computadores, webcams, microfones e conexão estável à internet, demonstrando que soluções digitais podem gerar impacto relevante na assistência pública. O modelo também é considerado escalável e adaptável para outras regiões do país, favorecendo a integração da jornada do paciente no SUS.
O programa Saúde Digital Paulista integra a estratégia do Governo de São Paulo para ampliar o acesso à saúde especializada, reduzir distâncias e fortalecer o atendimento regionalizado por meio da transformação digital da assistência em saúde. Desde 2024, o programa tem avançado de maneira significativa na implementação de soluções inovadores para ampliar o acesso à saúde aos pacientes de todas as regiões do estado. A iniciativa conta com cinco serviços de telessaúde, sendo eles: TeleAPS, TeleSAP, AME+Digital, Tele UTI e TeleAVC, registrando mais de 151 mil atendimentos nos cinco serviços.
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