A doença ocular ocorre quando a córnea muda de formato, passando de uma superfície lisa para uma cônica e irregular. A alteração está associada a condições genéticas e mecânicas relacionadas ao trauma contínuo, como o ato de coçar os olhos. Os sintomas iniciais da ceratocone envolvem dores de cabeça frequentes, coceira nos olhos, forte sensibilidade à luz e uma perda da nitidez visual. Os sinais são comuns a outras doenças oculares, por isso, a avaliação com um especialista é essencial.
O oftalmologista do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo , Samir El Faro, explica que exames específicos, como a topografia e a paquimetria, conferem a curvatura e a espessura da córnea, fechando o diagnóstico. “É recorrente ver a doença nos ‘coçadores’, pessoas que têm atopia ou alergias, como conjuntivite alérgica, dermatite atópica, rinite e asma”, comenta.
El Faro explica também que o diagnóstico precoce é determinante para impedir a progressão do ceratocone. “Quando a identificação do problema é precoce, existem procedimentos para reabilitar a visão ou estabilizar o quadro nos casos iniciais, com o uso de óculos e lentes de contato especiais. Mas, se a doença já estiver avançada, a córnea pode chegar a um estágio de deformidade avançado, tornando o tratamento mais difícil”, esclarece o médico.
A ceratocone é tratada com intervenção cirúrgica. Em casos iniciais, o procedimento indicado é o crosslinking, que fortalece as ligações das fibras de colágeno da córnea, conseguindo estacionar a progressão da doença. Para os quadros moderados, a opção é o implante do Anel de Ferrara, que regulariza a superfície do órgão. Em condições de intolerância severa a esses recursos, restam as cirurgias de alta complexidade, como o transplante para substituir toda a espessura do tecido deformado.
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