
Fraturas na clavícula e costelas, além de vários hematomas pelo corpo. Este foi o estado em que um bebê de apenas dois meses deu entrada, neste sábado,22, no Pronto Socorro de Itu (região de Sorocaba). O pai foi preso em flagrante, suspeito de torturar o filho.
Segundo a Polícia Militar, a criança deu entrada no hospital com fraturas na clavícula e na costela, além de vários hematomas, o que levantou suspeitas da equipe médica que prestou socorro.
Ao ser questionada, a mãe do bebê contou aos médicos que estava na cozinha da casa, quando ouviu o filho chorar e decidiu ir ao quarto. Ela também relatou que perguntou ao pai da criança o que havia acontecido e descobriu que o homem tinha apertado o tórax do bebê porque estava irritado com o choro dele.
Após o ocorrido, a avó da criança notou que o neto não estava conseguindo fazer as necessidades sozinho e decidiu levá-lo ao hospital.
Conforme o boletim de ocorrência, uma das enfermeiras informou que a criança, em outra ocasião, já havia dado entrada no hospital com traumatismo na cabeça, devido a uma possível queda enquanto estava sob cuidados do pai.
Diante da suspeita, o Conselho Tutelar foi acionado pela equipe médica e determinou que o bebê ficaria sob cuidados do Hospital da Criança, até que a guarda seja restabelecida.
O pai do menino foi preso em flagrante. Já a mãe foi ouvida na delegacia e liberada. O caso foi registrado pela Polícia Civil como tortura. Para este crime, a lei prevê pena de dois a oito anos de prisão.
Índices apontam que familiares são responsáveis por 84% dos casos de violência contra criança
A violência no Brasil afeta a vida de milhares de crianças, com consequências emocionais, sociais e econômicas de longo prazo. Apenas no primeiro semestre de 2022, foram registradas 122.823 violações contra crianças de até 6 anos - cerca de 84% delas cometidas por familiares (mãe, pai, madrasta/padrasto ou avós), revelou o estudo “Prevenção da Violência Contra a Criança”, lançado pelo Comitê Científico do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI).
Outro recorte mostra que, em 2021, um quarto das crianças brasileiras vítimas de maus-tratos eram menores de 5 anos. A pesquisa foi realizada com base em estatísticas do Disque 100, serviço vinculado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022.
“A violência contra a criança no ambiente familiar tem impacto negativo a curto, médio e longo prazos na saúde física e mental das vítimas e em suas práticas parentais futuras, o que pode levar a um ciclo intergeracional da violência", explica Maria Beatriz Linhares, professora associada sênior da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e coordenadora do estudo.
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